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Da deriva Continental à Tectónica de Placas

   O movimento dos continentes é marcadamente visível à superfície pela grande deformação da crosta, em particular, nas grandes cadeias ou cinturas montanhosas (Himalaias, Andes, Atlas, etc.).

   Há algumas décadas, a maior parte dos cientistas acreditava que os continentes e as bacias oceânicas eram estruturas permanentes da Terra, fixas, e a teoria da deriva continental era considerada uma ideia radical.

   A teoria das placas tectónicas (sucessora da teoria da deriva continental) trouxe uma mudança muito extensa na nossa compreensão da Terra e das forças que produziram a sua forma à superfície. Vários autores consideram esta mudança conceptual tão profunda, como a que se produziu quando Darwin, no século XIX, apresentou a sua teoria para a evolução das espécies animais, ou quando Copérnico, no século XVI, determinou que a Terra não era o centro do Universo.

   O conceito da deriva continental é uma ideia antiga. Desde que se traçaram os primeiros mapas, os cientistas notaram que as costas dos continentes, em particular a África e a América do Sul, se ajustavam perfeitamente, como peças de um "puzzle", se pudessem ser movimentadas. O francês António Snider-Pelligrini, foi o primeiro a estudar esta ideia com alguma profundidade, tendo apresentado no seu livro, Creation and its Mysteries Revealed (1848), o aspecto que os continentes teriam antes de se terem separado. Ele apresentou evidências de fósseis, na Europa e na América do Norte, mas baseou o seu raciocínio no dilúvio da Arca de Noé. A ideia pareceu tão disparatada aos cientistas da época, e ao público em geral, que foi abandonada e esquecida durante 50 anos. A teoria foi, pela primeira vez considerada séria, quando o geólogo americano Frank B. Taylor apontou vários factos Geológicos que poderiam explicar a deriva continental.


Esquema de evolução da posição dos continentes

   Contudo foi Alfred Wegner (1880-1930), um meteorologista alemão, o primeiro a investigar exaustivamente a ideia da deriva continental, e a convencer os outros cientistas a considerá-la séria. No seu livro The Origin of the Continents and Oceans, publicado em 1915, ele propunha a ideia de que os diversos continentes que hoje conhecemos, estiveram no passado unidos num único. A partir deste único continente, primeiro por partição logo seguida de separação, formaram-se os continentes actuais. Esta teoria é conhecida pelo nome de deriva continental. Ao continente original chamou Pangea e, baseando-se numa grande variedade de dados geológicos (evidências fósseis, paleoclimáticas, etc.), propôs que a sua partição começou há cerca de 200 Ma. Uma das razões sobre a qual se apoia esta teoria, é que na realidade os continentes encaixam uns nos outros como as peças de um "puzzle" e podemos juntá-los todos num único bloco. Os argumentos relacionados com a partição do supercontinete Pangea e a teoria da deriva continental foram suportados por muitas evidências importantes resultantes de estudos geológicos regionais.

   A teoria proposta por Wegner foi sobretudo atacada por não conseguir explicar como se podem mover os continentes ao longo de tantos quilómetros. Durante cerca de 30 anos esta teoria quase que foi abandonada devido ao cepticismo em seu redor, e só nos anos 60 inicia-se o renascimento destas ideias, transformadas agora numa nova teoria baptizada com nome de "tectónica de placas". Nesta teoria o que se move é a litosfera, isto é, os primeiros 100 km e o seu movimento é possível devido à existência das camadas viscosas da astenosfera. A separação dos continentes é levada a cabo pela criação de nova crusta oceânica que vai ocupando o espaço que fica entre os continentes que se separam. Devido ao facto de nesta teoria se formar nova crusta oceânica na separação dos continentes, de início denominou-se esta teoria por "alastramento oceânico".

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