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Geofísica Interna

A Geofísica, no seu sentido mais geral é o estudo do planeta Terra, o planeta que nós habitamos. A Geofísica Interna estuda a parte "sólida" do nosso planeta, isto é, excluindo a atmosfera e os oceanos.

Na verdade embora tenhamos já enviado Astronautas à Lua, a quase 400 000 Km da Terra, o máximo que o homem se aventurou no interior da crusta do seu planeta foi uns meros 4 km e o furo feito na península de Kola (Rússia), atingindo um pouquinho mais que 12 km de profundidade, é ainda o furo mais profundo jamais feito. Mas mesmo profundidades tão modestas são obtidas apenas num número muito limitado de locais.

Portanto o estudo da parte mais profunda (e o raio da Terra é superior a 6 000 km) tem de ser feito unicamente por métodos indirectos, por exemplo, analisando ondas sísmicas, medindo correntes eléctricas ou campos magnéticos e gravimétricos, medindo o fluxo de calor que nos chega do seu interior, etc.

Embora a parte "Geo" da palavra Geofísica, signifique Terra, os métodos geofísicos há muito que foram "exportados" para outros planetas.

Uma rede sismológica foi estabelecida na Lua na década de 70 do século passado, altura em que o primeiro sismómetro funcionou em Marte. Já esta década a sonda americana "Mars Global Surveyor" permitiu construir os primeiros mapas do campo magnético de Marte, importantes para perceber como a crusta marciana evoluiu, enquanto as medições do mesmo tipo feitas pela sonda Galileu, que recentemente mergulhou em Júpiter, nos permitem ter alguma percepção sobre um imenso oceano (talvez maior que todos os oceano existentes na Terra, juntos) que poderá existir por debaixo da crusta gelada do satélite Europa.

Espera-se também que, em breve, a sonda europeia "Mars Express", colocada em órbita final já em 2004 em torno de Marte, possa por em funcionamento o seu radar MARSIS capaz de investigar até 3 quilómetros de profundidade, para saber como a água existe nesse solo, se existe na forma de gelo ou na forma líquida, e a que profundidades, usando o que se aprendeu ao sondar o nosso planeta.

A água foi antes detectada, recorde-se, em Marte por meios geofísicos, usando principalmente detectores de neutrões, um método semelhante ao usado, poucos anos antes, pelo "Lunar Prospector" para encontrar vestígios de água na superfície Lunar.

Na verdade provavelmente tem-se mais informação sobre a superfície da Lua (ou, agora, com as sondas robóticas Spritit e Oportunity em Marte), do que o se que sabe sobre 1 Km de Terra debaixo da nossa cadeira, mas em breve o interior desses planetas será também sondado por métodos físicos.