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Oceanografia Física

   Quem olhe para uma fotografia da Terra obtida do espaço exterior, o que vê é um "planeta azul" porque o oceano cobre grande parte da sua superfície - cerca de 70%. É esta camada de água que permite a vida no nosso planeta e tem um papel decisivo no sistema climático e nas mudanças globais. Todos sabemos que as regiões do litoral, perto do mar, têm um clima mais ameno do que as regiões do interior e isto deve-se ao facto de a água do mar ter uma capacidade calorífica muito grande e portanto responder às variações da energia solar recebida com relativamente pequenas variações térmicas. É também o oceano que, em parte, se encarrega de compensar o grande contraste térmico entre as latitudes baixas e as latitudes elevadas através do transporte pelas correntes de águas mais quentes para norte, tais como a Corrente do Golfo no Atlântico. A grande extensão do oceano confere-lhe um papel importante como reservatório, a longo prazo, dos gases que são lançados para a atmosfera pela acção do homem, nomeadamente do dióxido de carbono. Ao absorver uma parte significativa (cerca de 35%) deste gás, o oceano está continuamente a atenuar os efeitos dramáticos que um aumento exagerado deste gás na atmosfera possa ter sobre o efeito de estufa e portanto sobre o clima do nosso planeta. Estas e muitas outras razões são suficientes para que o estudo do oceano seja hoje em dia um desafio porque ainda há muito para ser investigado. E mais ainda se nos focarmos na região do oceano mais próxima dos continentes, a região costeira. Ela é a que mais impacto social e económico tem para o homem, em vários aspectos tais como os ligados à possível subida do nível do mar e aos seus efeitos na região litoral, à construção e manutenção de instalações portuárias, pontões e molhes, às condições de segurança da navegação, ao transporte de material (sedimentos, areias) do fundo do mar e das praias, à utilização recreativa das praias (vela, natação, surf, etc.), às actividades da pesca (não esquecer que cerca de 90% das capturas mundiais de pescado são realizadas nas águas costeiras), à exploração de minerais, de petróleo e de gás natural, e aos efeitos da poluição marinha por resíduos industriais, pesticidas e herbicidas da agricultura.

   Para estudar, do ponto de vista da Física, os processos que têm lugar no oceano, temos de realizar observações que nos permitam medir propriedades físicas da água do mar, tais como a temperatura e a salinidade (concentração de sais na água do mar), registar os valores das correntes, medir as variações da altura da superfície do mar devidas às ondas e às marés, etc. As observações no oceano fazem-se em campanhas a bordo de navios e utilizando amarrações com instrumentos de registo. Estas observações de mar são complementadas com observações usando sensores colocados em satélites. O resultado das observações tem de ser analisado e compreendido e para isso utilizam-se cada vez mais programas computacionais com modelos numéricos que simulam e prevêem o comportamento do oceano.

   A Oceanografia é portanto uma área com interesse crescente, reconhecido internacionalmente, que se está a desenvolver nos dias de hoje a um ritmo acelerado e com o estabelecimento de fortes relações com outras áreas importantes para as ciências marinhas (Biologia, Química, Geologia, Engenharia). Ser oceanógrafo é pois ter uma profissão com futuro.